Emirados Árabes acusam Irã de disparar dois mísseis contra o país
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã, nesta terça-feira (18), de disparar dois mísseis balísticos contra o país. Em comunicado divulgado na rede social X, o Ministério da Defesa afirmou que nenhum deles atingiu seu território, mas um deles caiu em seu espaço marítimo: "As defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos detectaram dois mísseis balísticos lançados do Irã em direção ao país, sendo que o primeiro caiu fora das águas territoriais do país, enquanto o segundo caiu dentro das águas territoriais", afirmou um comunicado divulgado pelo ministério no dia X. O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado com o Irã em junho, disse o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, em declarações publicadas pela mídia estatal nesta terça-feira (18). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em discurso ao Parlamento, Qalibaf afirmou que as condições incluem: o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos o encerramento das sanções ao petróleo iraniano a liberação dos ativos congelados de Teerã o fim das ameaças e operações militares em todas as frentes da guerra Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei, em Teerã, capital do Irã. Majid Asgaripour/WANA/Reuters Horas depois, em post na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a negar que Ormuz esteja fechado. Afirmou que não há mais minas aquáticas no estreito e que ele está "aberto e operacional". "Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas Irã sobe o tom Um dia antes, nesta segunda-feira (17), um alto funcionário do regime iraniano afirmou à agência de notícias Reuters que o Irã decidiu mudar sua política de defensiva para uma totalmente ofensiva. De acordo com a autoridade, Teerã "intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar", e dará um prazo para que as tropas americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos iranianos. "Pressionar-nos ou depender de mediadores para alcançar uma paz duradoura não é realista. O Irã estabeleceu um prazo de algumas semanas para a implementação completa do memorando de entendimento pelos EUA. O cronograma estabelecido pelo Irã será comunicado ao governo americano e aos países da região por meio de mediadores", declarou. Faixa com uma imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã. Majid Asgaripour / WANA Trump falou que vai declarar Estreito de Ormuz como território dos EUA Na sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano. A declaração representou uma nova escalada na pressão dos EUA sobre o Irã, em meio às tentativas de chegar a um acordo definitivo para encerrar um conflito que já dura quase seis meses e para liberar completamente o tráfego na rota, uma das principais para a exportação de petróleo do mundo. No mesmo dia, o Irã respondeu que Ormuz está sobre a autoridade do país e que ameaças dos Estados Unidos não intimidam o governo iraniano. No dia 8, o Irã divulgou sua lista de exigências aos EUA para a reabertura do Estreito de Ormuz, entre elas uma indenização financeira, que Trump ironizou. A importância do Estreito de Ormuz O Estreito de Ormuz é uma estreita rota marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, que dá acesso ao Mar Arábico e ao Oceano Índico. Apesar do tamanho relativamente pequeno, Ormuz é considerado uma das principais artérias da indústria mundial de petróleo. Cerca de 20% do petróleo consumido no planeta passa pela região. Grandes produtores, como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos, dependem da rota para transportar parte da produção para outros mercados. Em termos territoriais, o Estreito de Ormuz é dividido entre águas sob soberania do Irã e de Omã. No entanto, o direito internacional garante a navios e aeronaves de outros países o direito de atravessar estreitos usados para navegação internacional. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países que ficam às margens dessas rotas não podem impedir ou suspender a passagem. O Irã assinou, mas não ratificou o acordo. Pelo direito internacional, os EUA não podem simplesmente tomar posse do Estreito de Ormuz por meio de uma declaração. Além disso, a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial de outros países. Petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz, 21 de dezembro de 2018 REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo Durante a guerra envolvendo EUA, Irã e Israel, Teerã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz e passou a exigir autorização da Guarda Revolucionária para a passagem de navios comerciais pela região. O controle da rota também está no centro das negociações para um acordo de paz. O Irã exige que os EUA reconheçam a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os americanos defendem a livre circulação pela passagem. Trump também afirmou à Fox News que os EUA vão atingir o Irã com força na área econômica. A declaração ocorreu um dia depois de o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmar que os EUA pretendem adotar contra o Irã medidas que, segundo ele, “nunca foram vistas”. As novas ações podem ser anunciadas já na próxima semana. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
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